A realidade do lixo eletrônico na voz de quem lida com o problema

Saiba o que ocorreu no Seminário de Inclusão Digital e Lixo Eletrônico organizado pelo Projeto +Telecentros

Após meses de pesquisa online e in loco sobre o tema Lixo Eletrônico, os envolvidos neste eixo temático do Projeto +Telecentros organizaram o Seminário de Inclusão Digital e Lixo Eletrônico.

O encontro, que aconteceu 26 de março de 2013, na sede do Núcleo de Educação, Tecnologia e Cultura da Universidade Federal de São Carlos – Campus Sorocaba, discutiu o contexto político do lixo eletrônico no Brasil e na América Latina, sempre com o foco na inclusão digital.

Participaram do encontro pesquisadores, estudiosos, educadores, integrantes do governo e de associações ligadas aos temas debatidos.

Mesa 1 – Política de Resíduos Sólidos no Brasil e na América Latina

Palestrantes:
Profª Uca Silva – Rede Latinoamericana de Resíduos Eletroeletrônicos (Chile)
Profª Eli Toso – UFSCar Campus Sorocaba
André Saraiva – Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica
Neuci Bicov – Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática da USP

A primeira mesa do seminário teve como objetivo apresentar o panorama latinoamericano do tema lixo eletrônico em termos de legislação e política pública.

O seminário teve início com a professora Uca Silva, que falou aos presentes sobre a trajetória e atuação da Plataforma RELAC, que desde 2004 trata do tema lixo eletrônico na América Latina. Seu objetivo principal é a facilitação dos processos de implementação de parcerias e de criação de normas que organizem o setor de reuso e reciclagem de eletroeletrônicos.

Professora do curso de Engenharia de produção da UFSCar, Eli Toso relatou a experiência que teve em 2007 com cooperativas de material reciclável na região da UFSCar campus Sorocaba. A falta de estrutura e de informação dos envolvidos fez com que a faculdade trabalhasse na criação de uma rede de logística reversa alinhada a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Nesse mesmo ano, de acordo com André Saraiva, da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, o setor empresarial despertou para o assunto. Foi durante sua explicação que os participantes tomaram conhecimento de alguns entraves para que a logística reversa seja implementada no país, como a inexistência de uma política fiscal simplificada pra movimentar os resíduos eletrônicos e a falta de empresas de reciclagem que sejam técnica e legalmente adequadas.

Por fim, Neuci Bicov, do Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática da Universidade de São Paulo (CEDIR/USP), revelou detalhes da política aplicada por eles desde 2009, que envolve, por exemplo, o empréstimo de equipamentos recondicionados a associações sem fins lucrativos que atuam no campo da inclusão digital e a formação de catadores de materiais recicláveis para o manuseio correto de equipamentos eletroeletrônicos.

Mesa 2 – Inclusão digital – transpondo as barreiras da conectividade

Palestrantes:
Rogério Macedo – Diretor de Articulação e Formação da Secretaria de Inclusão Digital do Ministério das Comunicações
Hudson Augusto – Pesquisador e membro do Grupo de Trabalho de Acessibilidade Digital da W3C

A segunda mesa do seminário focou na inclusão digital e em iniciativas bem sucedidas de projetos que integram esse conceito com o lixo eletrônico.

O pesquisador Hudson Augusto deu início a discussão narrando sua trajetória no Metareciclagem, rede auto-organizada que propõe a desconstrução da tecnologia para a transformação social. Entre os projetos citados por ele, o destaque ficou com o MetaSorocaba, ação de desmistificação da tecnologia em comunidades locais, atualmente realizado pela prefeitura.

Depois foi a vez de Rogério Macedo apresentar a situação atual do Programa Telecentros.BR, maior iniciativa de inclusão digital da Secretaria de Inclusão Digital (SID) do Ministério das Comunicações.

O palestrante também apresentou a nova iniciativa da SID, denominada Redes Digitais de Cidadania, programa de apoio a projetos de extensão universitária na área da inclusão digital, e o Programa Cidades Digitais, projeto que envolve infraestrutura de internet e formação da população, que já atua em 80 municípios brasileiros e deve contemplar mais 80 em 2014.

Mesa 3 – Inclusão digital, lixo eletrônico e educação ambiental

Palestrantes:
Rachel Trajber – Coordenadora de Educação Ambiental do Ministério das Educação de 2004 a 2011 e das três primeiras edições da Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente
Profª Viviana Ambrosi – Faculdade de Informática da Universidade de La Plata, na Argentina, e coordenadora do Projeto E-Basura

A última mesa do Seminário de Inclusão Digital e Lixo Eletrônico tratou das aproximações e possibilidades do campo da educação ambiental aliado à inclusão digital e lixo eletrônico.

“Para quem é da educação, é possível se dar ao luxo de ser utópico, pois a utopia está lá para ensinar a gente a caminhar”. Foi dessa forma que a professora Rachel Trajber começou sua palestra, deixando claro aos presentes a necessidade de questionar o dilema de refletir sobre a dimensão tangível dos resíduos sólidos e a dimensão intangível da questão da inclusão/exclusão digital. Ao fim a educadora trouxe à tona os princípios conhecidos como 5 erres: repensar, recusar, reduzir, reutilizar, reciclar.

Última a falar no seminário, a professora Viviana Ambrosi apresentou o Projeto E-Basura, que atua dentro da extensão universitária com o objetivo de recondicionar computadores.

De acordo com ela, o lixo eletrônico é um problema cuja responsabilidade é de todos e deve ser tratado em três frentes principais: responsabilidade social universitária, responsabilidade social empresarial e governamental e responsabilidade social cidadã.

 

 

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