Soluções para o lixo eletrônico

Propostas do +Telecentros para o descarte e reutilização de computadores sem utilidade

O eixo Lixo Eletrônico do Projeto +Telecentros, após entender as ações legais que envolvem o tema, mapeou 57 iniciativas do Programa Nacional de Apoio a Inclusão Digital nas Comunidades – Telecentros.BR, com o objetivo de entender quais ações já eram tomadas no que se refere ao tratamento e destinação destes resíduos.

Foram utilizadas notícias, materiais de incentivo ao descarte ambientalmente correto e informações sobre a destinação dos equipamentos adquiridos para o funcionamento de telecentros após o esgotamento de sua vida útil.

Saiba o que ocorreu no Seminário de Inclusão Digital e Lixo Eletrônico organizado pelo Projeto +Telecentros

Os Centros de Recondicionamento de Computadores (CRCs) recebem doações de computadores e componentes por parte de órgãos do governo e empresas privadas. Sua responsabilidade é transformar o material doado em novas máquinas, utilizadas por projetos de inclusão digital de escolas, bibliotecas e associações sem fins lucrativos.

Das 57 instituições pesquisadas, 42 são de natureza pública (prefeituras, governos estaduais e órgãos do governo federal) e 16 de natureza privada (instituições ligadas ao terceiro setor). Destas, 15 não possuem data de implementação divulgada. Do restante, a maior parte (14) iniciou suas atividades em 2010, ano em que o “Aviso de Seleção Pública de Parcerias – MP/MCT/MC – Nº 1/2010 – Programa Nacional de Apoio à Inclusão Digital nas Comunidades – Telecentros.BR” foi realizado.

Quando verificado se existe alguma referência à destinação dos resíduos eletrônicos do programa, apenas duas instituições indicam tomar providências sobre o tema: uma aponta encaminhar para o Centro de Recondicionamento de Computadores do município, e outra diz possuir um convênio com uma empresa recicladora devidamente licenciada para fazer o manejo e a destinação correta dos resíduos.

Esse cenário, ainda que preocupante, é coerente com uma política embrionária que regula o manejo de resíduos sólidos no país.

Visitas aos CRCs

O trabalho de campo consistiu em visitas a três instituições que atuam no campo da inclusão digital e responsabilizam-se pelos resíduos eletrônicos que produzem. Entre maio e junho de 2012 os integrantes do Projeto +Telecentros visitaram o Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática da Universidade de São Paulo (CEDIR), na capital paulista, o Programa BH Digital, em Belo Horizonte, Minas Gerais, e o Centro Social Marista, localizado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Apesar de compartilhar o mesmo objetivo, cada CRC revelou aos participantes uma maneira distinta de lidar com o problema do lixo eletrônico. Em comum apenas a dificuldade em lidar com a crescente demanda de computadores descartados.

“As visitas demonstram que o projeto dos Centros de Recondicionamento de Computadores foram assimilados de formas diferentes em cada lugar. Em Porto Alegre o CRC entrou na estrutura da Rede Marista, transformando-se em curso de formação. Já em Belo Horizonte ele integra a estrutura do município, com todos os problemas inerentes ao serviço público. E no geral, apesar de conseguir trabalhar com o lixo eletrônico, seu destino final permanece nebuloso em quase todos os casos”, conta Cesar de Lucca, consultor do +Telecentros.

Conclusões

A ausência de legislação específica durante as últimas décadas contribuiu para que o cenário do descarte de lixo eletrônico ainda não tenha recebido a devida atenção. A situação dentro do nicho das políticas públicas de inclusão digital não se difere do quadro geral. No momento, a defasagem se deve principalmente a falta de informação.

A equipe voltada a este eixo temático do Projeto +Telecentros apontou para a necessidade de elaboração de um Plano de Descarte para programas de inclusão digital abrangendo os seguintes aspectos:

Plano de logística

Considerando a realidade dos telecentros, cuja estimativa é de que existam mais de 6 mil unidades espalhadas pelo país (apenas de projetos públicos federais), a questão exige um nível de detalhamento operacional como condição fundamental de partida.

A construção de um plano de logística passa pela produção de estudos e simulações que apontem possibilidades de tratar o problema do manejo de resíduos tóxicos. Uma ideia, que leva em conta o volume baixo de lixo eletrônico gerado por um único telecentro, trata da possibilidade de seu espaço atuar também como um posto de coleta desse tipo de descarte em sua comunidade.

Plano de formação

Como o lixo eletrônico é composto por equipamentos de alto valor e tecnologia agregada, entendemos que o reaproveitamento de partes do material descartado pode ser utilizado na construção de novos objetos com outros sentidos de uso, bem como a intensa possibilidade da criação de laboratórios de experimentação, representando possibilidades educacionais que não deveriam ser desperdiçadas por uma política de inclusão digital.

A formação técnica e criativa abre novas possibilidades de sociabilização e apropriação do espaço do telecentro, ressignificando seu uso e ampliando seu sentido para além do acesso viabilizado pelos equipamentos de informática conectados à internet.

Plano de Integração com os Centros de Recondicionamento de Computadores

Os Centros de Recondicionamento de Computadores integram a política de inclusão digital e, há alguns anos, experimentam soluções para algumas das questões acima mencionadas. Integrá-los plenamente a um Plano de Descarte para a política de Inclusão Digital pode facilitar e otimizar as experiências a serem realizadas.

Temas de domínio dos CRCs, como a formação de profissionais da área, experimentação com eletrônica, formas de estocagem, entrega e desfazimento de materiais inservíveis podem ser passados para os telecentros por meio de oficinas e workshops.

“O plano de descarte se faz necessário na medida que cresce a popularização dos projetos de inclusão digital no Brasil. Falar de inclusão digital é falar de educação, e isso inclui se responsabilizar do começo ao fim por aquilo que produzimos. Disponibilizar o equipamento e não cuidar do seu destino final é fazer o trabalho pela metade”, explica Isis Lima Soares, consultora do +Telecentros.

 

 

 

3 Responses to Soluções para o lixo eletrônico

  1. Coleta gratuita de lixo eletrônico em BH e região.
    Todos juntos por um mundo mais sustentável.
    Faça sua parte, descarte corretamente seu lixo eletrônico.
    Ligue 9546-5973 e agende sua coleta.
    http://www.sosgreen.16mb.com
    https://www.facebook.com/sosgreen

  2. Boa Tarde
    Estou a procura de parceiros para estarmos adquirindo lotes de eletrônicos para descaracterização ou até reúso, compramos e certificamos os processos.

  3. Procuro para compra lotes de eletronicos

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